quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sobre corações acelerados

Tentei observar mais.
Tentei poder retirar daquilo algo poético, bonito, sublime.
Mas não havia nada além da boca seca.
Engolir a seco e esperar o ar chegar ao estômago.
Perceber o estômago vazio, com o ar rasgando suas paredes como asas de borboletas.
Os pulmões aceleram e você percebe sua pele se arrepiando.
No fim, é só o coração adiantando seu batimento.
Adiantando o passo, como se quisesse apenas passar, bater tantas vezes quanto foi programado para fazer e parar.
O coração rápido parece lhe fazer desesperado.
Você necessita que aquilo pare, e prefere pela primeira vez na sua (pouca) vida que o coração fique sem bater do que continuar batendo naquela velocidade.
O ar guiado pela velocidade dos pulmões, animados pelo batimento mais forte do coração, sai pela boca como energia.
Como vida, desejo, escolha, medo, misticidade, feromônio.
O ar envolve todos por perto.
É natural, apesar de parecer algo como crendice, mistério ou simples merda religiosa.
Acontece.
O corpo foi feito para sentir mais medo do sim do que do não.
O não é mais fácil e simples. Acostumável.
O sim requer muita coragem. Inimaginável.
Prefiro receber não. No fundo, eu desejo o não mais do que o sim.
Sou medroso.
E no fim não encontro nada de diferente e continuo tentando retirar algo sincero daquilo tudo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A lei acima da vida (ou Sinônimos)

Minha cama nunca mais desabou, tá tudo tão seguro e tedioso.
As noites parecem cada dia mais intensas. Encaro a noite não mais como uma crinaça, mas como um passeio na montanha russa. Onde você pode estar bem e tranquilo, para logo após entrar em estado puro de adrenalina.
Produzida por você mesmo.
Droga mais que natural, instintiva.
Sexta acaba e volto pra casa. Pro lugar que já foi tão reservado. Pro lugar em que eu não queria levar ninguém. E agora anseio por uma presença, pois o quarto parece maior e, consequentemente, mais vazio.
Gostaria de ter de volta tempos em que pude sentir o fluir da alegria. Da satisfação, ao menos físcia. E não posso mais.
Noite são como armadilhas. Te pegam desprevinido.
Sonhos quentes. Olhares ardentes e nenhuma verdadeira ação.
A cena se passa em um lugar vermelho, e que ali só se manifestava e sacramentava o desejo.
Eu estava mais próximo do que poderia.
Eu estava sentindo o contato com a pele dela.
Tentei evitar, mas fazia frio lá fora.
Era melhor se sentir quente. Mesmo por fora.
Queria alguém para forçar as estruturas.
Ela estava perto, ao alcance de minha voz.
Mas, pena, ela não poderia ouvir sussuros acanhados e tão baixos.
Só, pois não pude me comunicar bem.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Um cigarro, depois de pequenos arrependimentos diários.

Ele, ela e um planeta a frente.
O universo sempre foi infinito, mas pra nós ele nunca passou de um bocado de terra.
Um monte de terra, unida por uma força estranha.
Atmosfera.
Atmosférico seria um momento que vc se sente junto da própria atmosfera?
Se deixando levar por tanta 'energia' circundante?
Era atmosférico e idiota ao mesmo tempo aquele momento.
Ele dizia que foi ótimo revê-la. E ao mesmo tempo pensava em seus seios.
Ela dizia que foi legal revê-lo. Felicidade contida. Ela pensava no abraço aconchegante dele.
Eles não diziam uma palavra que não fosse mais profunda que o universo, buscavam tudo que lhes fugisse à mente, exceto o que realmente queriam.
É sempre assim.
Nunca fomos realmente diretos, desde que nascemos e choramos por isso, por estar vivos. Aliviados?
Está no nosso inconsciente: se mentirmos pra agradar, seremos recompensados.
Mas erramos ao pensar que se mentirmos pra nós mesmos seremos recompensados por alguém que não seja nós mesmos.
E o corpo sabe disso.
E avisa-nos.
Com boca seca, coração forte, meio que implorando por uma atitude real e sincera.
E continuamos parados.
O que há de errado conosco?
Deixamos escapar por entre nossos dedos, bem na frente de nossos olhos, toda oportunidade que aparece instantaneamente.
E ainda arrumamos desculpas sinceras para isso.
Nada que convença seu corpo, que continua implorando pelo corpo dela.
E no fim a noite é fria.
Como todo resto dos dias.
Mas parece pior, pois um poderia estar se esquetando no outro, se alguém falasse algo sincero, sem medo, pudor, ou o que seja.
Noite, descepção e qualquer outra coisa que exiga você por inteiro, pede um pouco de fumaça, um pouco mais, apenas.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O cheiro de terra molhada e o perfume nostálgico das flores

Eu sei que eu tinha uma rosa.
Ganhei de uma forma tão linda e merecida, que na hora eu pensei em nunca deixar aquela rosa morrer...
Eu a botei em um lindo vasinho, que comprei com algumas moedas que tinha achado pelo chão.
Todo dia de manhã eu acordava mais cedo que meus pais e enchia um copinho de água da torneira e ia regá-la.
Era tão lindo ver ela nascendo com aquela luz do amanhecer. Aquilo me dava forças para levantar e continuar andando.
Por incrível que pareça a rosa mudava de cor todo dia.
Havia dias que ela estava vermelha, tão forte que me lembrava o sangue. Ela ficava desta cor principalmente nos 2 primeiros anos de vida.
Outros dias ela estava azul. Serena. Parecendo que tinha o tempo inteiro a seu dispor. Ela geralmente ficava assim quando tinha 3 anos.
Mas depois de algum tempo ela foi ficando cinza.
E o amanhecer não parecia mais tão bonito assim.
Passei a acordar tarde, passei a não ter mais vontade de acordar, passei a sair de casa sem nem mais olhar minha linda rosinha.
Fui viver minha vida, tentar ser independente, tentar não me prender a nada.
Sai da casa de meus pais, aluguei um quartinho.
Levei a rosa.
Ela parecia ter voltado a cor vermelha.
Mas algumas pétalas pareciam azuis demais.
A rosa me fitava com ódio. Com olhar de reprovação. Parecia dizer que eu estava acabando com tudo.
Ela precisava de mim.
Eu adorava ela, e toda aquela sensação de segunda de manhã ensolarada e que não tinhamos nada mais grave a fazer do que ir assistir algumas aulas de ciências.
Um dia desses me lembrei de como eu almejava por uma flor dessas, quando nunca tinha tido nenhuma.
Eu chegava a sonhar.
Mas não imaginava que teria que me dedicar tanto assim.
Não imaginava que ela podia ser tão frágil.
Não imaginava que eu teria que escolher tantas coisas assim.
Eu não queria mais nada que exigisse mais de mim do que eu mesmo.
Pensei em deixar a rosa sobreviver sozinha por um tempo.
E deixei.
Não deu certo. Ela estava murcha e amarronzada com menos de uma semana. Ela me fitava com olhos de ressaca. Como se aquele tempo que eu dei para ela tentar sobreviver sem qualquer ajuda minha fosse tempo demais.
Pude perceber que ela precisava de mim. De verdade.
E eu queria ser capaz de mantê-la viva.
Queria ver ela brilhando. Vermelha. Ou azul. Tanto faz.
Eu precisava dela pelas manhãs.
Voltei a regá-la.
Agradecida, ela se esforçou e conseguiu se virar melhor sozinha.
De noite eu chegava em casa e ela estava bem. Rosinha. Não vermelha. Mas bem.
E eu passava a noite conversando com ela.
Mas de manhã eu havia adormecido.
E sem as manhãs, me perdi novamente.
Até que um dia, vi uma floresta linda no meu quintal.
Havia tantas rosas. Tantas precisando de um pouco de atenção, ou até de um carinho.
Senti vontade de trazé-las todas para casa.
Eu queria ser um floricultor.
E haviam mais que rosas. Haviam flores que de tão exóticas e misteriosas, soltavam um perfume que me remetia áquelas mesmas manhãs que passei com minha primeira rosa.
Minha rosa, foi vendo outras flores por perto. Foi voltando a ficar cinza.
Aquilo me deixava triste.
Eu queria que ela me deixasse estudar outras flores.
Queria ter mais do que uma flor na vida.
Mas eu quis demais.
E minha rosa morreu numa tarde de domingo.
E foi desesperador aquele momento. Eu sabia que logo, logo iria amanhecer e seria segunda e eu não teria mais nada além da lembrança da minha primeira rosa.
E depois dela. Nada, nenhuma rosa me fez tanto querer levantar e enfrentar a manhã da segunda feira, como ela tinha feito.
Juntei todas as flores que havia acumulado. Inclusive o vasinho vazio da minha primeira rosa.
Deixei todas elas na janela da minha casa e me retirei para meu quarto.
Nunca mais quis ver uma flor.
Nunca mais consegui sair do meu quarto, pois sabia que o primeiro cheiro que me viria às narinas seria o cheiro de terra molhada e o perfume nostálgico das flores.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sobre vontades quentes e ignoradas

Hoje, enchi meu próprio balde de verdades e resolvi jogar pela janela.
O balde tinha uma aparência meio pertubadora, ele era transparente e deixava vazar todo conteúdo de mentiras sinceras contadas por alguém que anda confuso com a verdade.
Seria verdade a vontade?
Seria a verdade o certo a se fazer?
E vontade eu tinha, na verdade o balde estava até a boca cheio de vontades não postas em pratica.
E por isso eu resolvi encher este balde e jogá-lo pela janela.
Quem sabe não caia na cabeça de alguém que se interesse por uma dessas vontades?
É meio suicida, eu sei.
Me expunho demais.
Mas é a única coisa a se fazer.
Joguei.
E todas aquelas vontades simplesmente escorriam pelas paredes do prédio.
Grudando em tudo.
Nem sequer uma gota daquilo chegou ao chão.
Ficou grudado na parede do meu prédio, para todo mundo ver, olhar, admirar e não poder tocar.
Essa não foi a primeira tentativa de atirar minhas vontades ao mundo. E falhou novamente.
Acho que as pessoas em geral ignoram coisas sinceras demais.
Pode ser perigoso né?
A vontade é algo tão cru e quente...
Que se ingerido com pressa deve fazer mal.
Mas te juro que se eu tivesse uma vontade pegando fogo na minha frente agora, eu não teria medo de me machucar.
Satisfazer alguém, apenas pela vontade, pode ser recompensador.
Agora, prefiro um cigarro e vou apagá-lo nas minhas vontades, agora grudadas, no parapeito da janela.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O entendiante e destruidor passar dos dias

Estou me tornando velho.
Intenso nem é mais meu respirar.

Fraca vontade.
Me deixo vencer pelas facilidades.

Não pareço mais
Aquele garoto.

Me vejo conformado.
Me sinto ludibriado.

Onde foi parar os 100%?
Onde fui enterrar meu coração?

Paixão,
Volta.

Sagitarius A

"Quando olhamos para Sagitário estamos observando diretamente o centro da Via Láctea."


"O centro galáctico é um lugar bastante tumultuado."


"No centro da Galáxia existe uma intensa fonte de emissão eletromagnética, chamada Sagitarius A."


"A densidade central do núcleo galáctico era muito mais alta que a de algum aglomerado estelar


"A atração gravitacional era tão intensa que os pesquisadores deduziram que a única possibilidade para tamanha atração era a existência de um buraco negro supermassivo no centro da Galáxia"





Finalmente pude ver algo de verdadeiro no horóscopo.


http://www.apolo11.com/spacenews.php?posic=dat_20100602-085541.inc

terça-feira, 1 de junho de 2010

O envelhecer do dia

O vento corta o céu azul
Do mesmo modo,
O sangue corta minhas veias.

O pulsar parece fraco.
Meu olhar, já não causa tanto estrago.

Meu desejo esmoerece.
Os dias parecem mais lentos.

Não consigo sentir a vivacidade
A juventude me é tirada
Através do vento que
Corta minha pele,
Levando lembranças
E convicções.

Hoje me vendo por
Mais barato que ontem
E talvez
Mais caro que amanhã.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Prelúdio de um inverno frio

Cansei.
A não-precisão das coisas me cansa.
Posso sentir sua respiração, não tão perto como queria, e isto não me faz bem.
Quero o ar quente, que sai do seu intímo, no meu pescoço.

E não é certo querer e não ter.
Tem algo que me diz que terei sempre o que quero.
Mas estou preso a aquela cama suja, naquele quarto com objetos deixados no chão, só pela comodidade, preguiça, desleixo, ou simples vontade não-contida.
Aquele quarto me consome.
E eu só queria te levar para lá, para dentro do meu quarto.
Te mostrar o não-tão-real mundo meu.

Preciso de um corpo (quente, de preferência) para aparar minha vontade devastadora de sentir outra pele que não a minha.

Queria minhas lágrimas rolando no seu ombro, só um pouco. Te molhar com a água que exprime o significado pelo qual vivo, quem sou ou porque continuo escrevendo e gritando parar todos os lados as armadilhas secretas que cercam meu coração.

O lábio é muito pouco, a pele de sua face limpa e lisa ainda não é suficiente.
Preciso ir mais fundo, te sentir por dentro, tocar seu interior, suar e sentir seu suor. Trocar energia estática. Fechar os olhos por saber que entendi.

É chato, e por isso cansei, mas eu sempre tento entender, conhecer, julgar, tocar em tudo que quero compreender e gostar...

Nunca é fácil deixar as folhas cairem e esperar pelo próximo outono...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quarto Vazio

Sabe aquela vontade?
Aquele momento perfeito que parece se dissipar no ar, como o próprio tempo?
Sentir tão perto, e estar tão longe.
Pronto pra tudo que for acontecer, menos para o não.
Esperando a vida fazer o papel dela.
Esperar nunca foi uma boa idéia, melhor é fazer acontecer.
Não que seja simples. A maioria das vezes não depende de você ou de toda sua vontade.
Querer não é tão poder, assim...
Isso é estranho e triste. Poderíamos sim, ter tudo que quisermos.
Mas nunca aprendemos como fazer isso exatamente.
E continuamos nos enganando.
Queria seu beijo, seu corpo, seu desejo.
Mas não pude ter.
E certamente, não que eu não quisesse.
Mas talvez porque você não quis.
Seria tão bom não manter as aparências.
Queria te ver nua.
Sem proteções, mágoas ou passado.
Queria te ver pura.
Eu gosto das pessoas.
E adoro suas opiniões, mas odeio seu jeito cínico e imbecil de não mostrarem o que realmente querem.
Mas também faço isso.
Sou podre como você.
Acho que apodrecemos junto com o ar, agora poluido.
Queria fazer tudo ser limpo e lindo, como um dia foi, só para te mostrar e te fazer sorrir.
E sua voz, tão macia e fácil de ouvir.
Gostaria do seu beijo, e quem sabe mais um abraço.
Antes de me entregar tão loucamente e solitáriamente a este quarto vazio.