Sinto
E você é tão...
Lar.
Almejo
Apenas
Te encontrar.
E, sim,
Saberei
Que
Encontrei...
Um lugar
Onde ancorar
Minhas pernas,
meus braços.
E não precisarei mais navegar
Em busca de qualquer outro lugar.
Pois aqui
Me senti
Completamente
Protegido.
E, mesmo ferido,
Sei que não passa de um brilho
Que quero pra sempre guardar.
E o calor me protegerá
De qualquer frio
(na barriga)
De agora ou outrora.
Pois te amo
E ao seu lado
Me sinto...
Tanto.
Sem pranto.
sábado, 18 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Corações, Caixas e Trogloditas
Era um dia frio, a chuva caia e eu estava sentado na escada do colégio escrevendo aquele velho diário que me ajudava a ser eu mesmo.
E naqueles dias, naquelas últimas 10 ou 20 páginas, só haviam palavras sobre ela.
Sobre o vento que batia nos seus cabelos pretos e os fazia voar sobre seu rosto, escondendo seu olhar e alisando seus lábios.
Sobre o modo como a farda lhe caia perfeitamente bem, como que um tecido de seda.
Sobre como o ar a sua volta parecia bem mais perfumado.
No caderno, também haviam desenhos.
Corações e caixas.
Nas caixas eu me encontrava, sempre com medo do que podia encontrar fora delas.
Nos corações, apenas ela.
Enquanto escrevia e desenhava. A olhava a alguns metros de distância.
A via feliz, sorridente. Rodeada de amigas, tão ou mais bonitas que ela.
E via também vários pretendentes. Que, diferente de mim, tinham mais coragem.
E iriam falar com ela, cara a cara.
Por um momento eu quis ser como eles.
Mas sempre acabava da mesma forma.
Ela lhes dava a chance e eles lhe davam lágrimas em troca.
Eu não conseguia entender porque ela não aprendia.
Porque ela não examinava e percebia que meninos corajosos demais, fortes demais, bonitos demais ou perfeitos demais, não se preocupavam com ela e sim com eles próprios?
Porque ela se deixava ser acalentada por outro quase igual ao que acabara de magoá-la?
Eu não entendia e passei anos a estudar isso.
Resolvi um dia perguntar.
Sim, eu a amava, mas não iria me declarar, iria simplesmente perguntar o porque ela gostava de sofrer sempre os mesmos pesares, só para estar com um deles.
Juntei todo o resto da minha coragem e fui, firme e determinado.
Ao chegar nela ela olha nos meus óculos e me dá um sorriso amarelo, olha para o lado e acena com o braço.
Um daqueles trogloditas, o atual, vem e sem falar nada me dá um soco no rosto.
Depois a agarra pela cintura e olhando com desprezo para o chão, onde eu me encontrava, me diz apenas:
- Tá maluco idiota? Vai querer falar com a minha menina?
Olha pra ela e lhe dá um beijo, aperta ela com força na cintura e saem caçoando de mim.
Apanho meus óculos quebrados, ponho no rosto e levanto, entendendo um pouco mais sobre aquela relação doentia.
Ela precisava se sentir protegida.
Ele precisava marcar seu território.
Enquanto eu só precisava de amor.
E naqueles dias, naquelas últimas 10 ou 20 páginas, só haviam palavras sobre ela.
Sobre o vento que batia nos seus cabelos pretos e os fazia voar sobre seu rosto, escondendo seu olhar e alisando seus lábios.
Sobre o modo como a farda lhe caia perfeitamente bem, como que um tecido de seda.
Sobre como o ar a sua volta parecia bem mais perfumado.
No caderno, também haviam desenhos.
Corações e caixas.
Nas caixas eu me encontrava, sempre com medo do que podia encontrar fora delas.
Nos corações, apenas ela.
Enquanto escrevia e desenhava. A olhava a alguns metros de distância.
A via feliz, sorridente. Rodeada de amigas, tão ou mais bonitas que ela.
E via também vários pretendentes. Que, diferente de mim, tinham mais coragem.
E iriam falar com ela, cara a cara.
Por um momento eu quis ser como eles.
Mas sempre acabava da mesma forma.
Ela lhes dava a chance e eles lhe davam lágrimas em troca.
Eu não conseguia entender porque ela não aprendia.
Porque ela não examinava e percebia que meninos corajosos demais, fortes demais, bonitos demais ou perfeitos demais, não se preocupavam com ela e sim com eles próprios?
Porque ela se deixava ser acalentada por outro quase igual ao que acabara de magoá-la?
Eu não entendia e passei anos a estudar isso.
Resolvi um dia perguntar.
Sim, eu a amava, mas não iria me declarar, iria simplesmente perguntar o porque ela gostava de sofrer sempre os mesmos pesares, só para estar com um deles.
Juntei todo o resto da minha coragem e fui, firme e determinado.
Ao chegar nela ela olha nos meus óculos e me dá um sorriso amarelo, olha para o lado e acena com o braço.
Um daqueles trogloditas, o atual, vem e sem falar nada me dá um soco no rosto.
Depois a agarra pela cintura e olhando com desprezo para o chão, onde eu me encontrava, me diz apenas:
- Tá maluco idiota? Vai querer falar com a minha menina?
Olha pra ela e lhe dá um beijo, aperta ela com força na cintura e saem caçoando de mim.
Apanho meus óculos quebrados, ponho no rosto e levanto, entendendo um pouco mais sobre aquela relação doentia.
Ela precisava se sentir protegida.
Ele precisava marcar seu território.
Enquanto eu só precisava de amor.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Utopia do amor imor(t)al
Eu quero que nenhum amor morra,
Suma ou se desfaça.
Eu quero que nenhum amor morra,
Não finja, nem disfarça.
Não quero feridas,
corações partidos
Ou mágoas.
Quero você aqui
Exatamente onde
Meu sentimento deságua.
Não quero que o amor morra
Ou seja pouco louvável.
Não quero que o amor morra
Eu prefiro o infindável.
Choro por novos olhares,
Eles se revelam, intimidade.
E nos becos sórdidos,
Achei o óbvio:
Isto foi longe demais do lógico.
Suma ou se desfaça.
Eu quero que nenhum amor morra,
Não finja, nem disfarça.
Não quero feridas,
corações partidos
Ou mágoas.
Quero você aqui
Exatamente onde
Meu sentimento deságua.
Não quero que o amor morra
Ou seja pouco louvável.
Não quero que o amor morra
Eu prefiro o infindável.
Choro por novos olhares,
Eles se revelam, intimidade.
E nos becos sórdidos,
Achei o óbvio:
Isto foi longe demais do lógico.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
O mar
Estar quase afudando,
mas lembrar dos grãos de areia.
E saber que sempre vai haver onde pisar,
Mesmo no fundo do mar.
E querer que não fosse tão fundo assim.
E se fosse melhor?
Maior?
E se parecesse como a brisa?
Alisa.
E se não precisássemos de chão?
Novos ares, então.
Queria mais que o mar,
Quis sempre o ar.
Sentar e conversar.
Sentar e amar.
Porque se torna tão difícil, mesmo em frente ao mar?
mas lembrar dos grãos de areia.
E saber que sempre vai haver onde pisar,
Mesmo no fundo do mar.
E querer que não fosse tão fundo assim.
E se fosse melhor?
Maior?
E se parecesse como a brisa?
Alisa.
E se não precisássemos de chão?
Novos ares, então.
Queria mais que o mar,
Quis sempre o ar.
Sentar e conversar.
Sentar e amar.
Porque se torna tão difícil, mesmo em frente ao mar?
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Análise sobre a sarjeta e seus quase-fiéis frequentadores
Eles queriam o suor dos outros e todo seu orgulho. Queriam roubá-los e privá-los de expressar qualquer angústia, sendo a própria angústia o fim e o começo de todos os problemas, solucionáveis ou não, no contexto humano.
Eles cheiravam a novidade, mas o aroma não passava de fragrância fraca e barata comprada em qualquer mercado de esquina.
Mas gostavam da noite, da rua, da sarjeta e do estrago.
Gostariam de acordar e não despertar.
Queriam sempre não entender, pois compreender sempre foi mais difícil e nunca os levou a lugar nenhum.
Preferiam nem sonhar, pois isto desistimularia seus atos, que para os outros pareciam devaneios, ou mesmo delírios de luxúria.
Gostavam de apropriar-se de momentos não criados por eles, mas perfeitos.
E queriam sim, dividir seu ar.
Clamavam por um olhar, de atenção ou desprezo. E se sentiam felizes e realizados, se isto acontecia.
Andavam em grupos deformados na sua origem, mas puros na sua concepção.
Preferiam deslizar no chão. Pois pisar seria tão tedioso.
E, principalmente, olhavam nos olhos, mesmo que estivessem mentindo.
Pois gostavam de estudar o próximo e toda reação a favor ou contra eles próprios.
Brindavam à liberdade, sem citar o nome dela.
E se esbaldavam no eterno, enquanto transitório.
Lambiam seus lábios pra experimentar novas sensações e tinham medo das consequências, apesar de ausências serem bem piores para seus espíritos.
Sorriam como um saco de batatas sorri. Singelo, podre e inexistente, de satisfação plena.
Enfiavam até o talo o dedo na ferida alheia. Mas se divirtiam mais ferindo a si próprios.
E como gostavam de desejar.
Sentiam necessidade da vontade.
E só choravam por identificação mesmo.
Preferiam artes complexas e frias, a monumentos vibrantes e comprados por milhões.
Supriam-se do resto, do pó, da felicidade despejada no chão por outros mortais sem tanta sorte, ou genialidade.
Eles cheiravam a novidade, mas o aroma não passava de fragrância fraca e barata comprada em qualquer mercado de esquina.
Mas gostavam da noite, da rua, da sarjeta e do estrago.
Gostariam de acordar e não despertar.
Queriam sempre não entender, pois compreender sempre foi mais difícil e nunca os levou a lugar nenhum.
Preferiam nem sonhar, pois isto desistimularia seus atos, que para os outros pareciam devaneios, ou mesmo delírios de luxúria.
Gostavam de apropriar-se de momentos não criados por eles, mas perfeitos.
E queriam sim, dividir seu ar.
Clamavam por um olhar, de atenção ou desprezo. E se sentiam felizes e realizados, se isto acontecia.
Andavam em grupos deformados na sua origem, mas puros na sua concepção.
Preferiam deslizar no chão. Pois pisar seria tão tedioso.
E, principalmente, olhavam nos olhos, mesmo que estivessem mentindo.
Pois gostavam de estudar o próximo e toda reação a favor ou contra eles próprios.
Brindavam à liberdade, sem citar o nome dela.
E se esbaldavam no eterno, enquanto transitório.
Lambiam seus lábios pra experimentar novas sensações e tinham medo das consequências, apesar de ausências serem bem piores para seus espíritos.
Sorriam como um saco de batatas sorri. Singelo, podre e inexistente, de satisfação plena.
Enfiavam até o talo o dedo na ferida alheia. Mas se divirtiam mais ferindo a si próprios.
E como gostavam de desejar.
Sentiam necessidade da vontade.
E só choravam por identificação mesmo.
Preferiam artes complexas e frias, a monumentos vibrantes e comprados por milhões.
Supriam-se do resto, do pó, da felicidade despejada no chão por outros mortais sem tanta sorte, ou genialidade.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Nada pode ser mais sincero que a arte (Ou O fim dos óculos vermelhos)
Sabe, sofia, não é tão fácil quanto parece.
Não pelo menos pra mim.
Nunca foi fácil amar e ser amado.
Eu sempre vivi assim, sob o efeito angustiante e eterno do, famigerado, amor platônico.
Sempre pensei em não me importar com nada, muito menos com a quantidade de amor que eu iria desperdiçar.
Mas, bebê, você me fez amar tão rápido e intensamente, que eu arriscaria dizer que não podia ser verdade. E, no fim, não era.
Tentei negar meu escritos, meus sentimentos, meus quadros, minhas desconfianças, mas era tudo real.
Era tudo triste e não tão satisfeito assim.
Eu pensava estar satisfeito.
Sim, eu já dizia ser feliz e sempre respondia que estava ótimo.
Mas não percebia que minha arte não estava nem um pouco alegre.
Percebi que tinha algo errado.
Mas, olha, te digo que você finge muito bem.
Seu objetivo foi concluído.
Conquistou-me.
E com o que queria nas mãos, parou de seguir em frente com a tentativa de, realmente, se entregar.
Claro, nem havia porque, pois eu mesmo já havia te entregado tudo.
Eu mesmo havia sugado toda responsabilidade daquilo que chamam amor pra mim.
Agora, me sinto descepcionado com as pessoas.
Descepcionado com o modo como elas levam a vida, ou, ainda, em como elas simplesmente ignoram qualquer outra fonte de sentimento, que não seja seu próprio peito.
Me sinto vazio e oco.
Despejei meu intimo numa bandeja e te servi, em pratos de prata.
Você se deliciou. Mas enjoou.
Nem pensou no quanto é difícil ser desejável por alguém.
Seus olhos me diziam coisas lindas e eu acreditava, acostumado a acreditar no 'espelho da alma'.
Mas esquecia sempre dos óculos vermelhos e de sua insegurança.
Sofri.
Vazio.
Angústia.
Desnorteamento.
Inutilidade.
Mas principalmente, fui inocente demais pra acreditar em qualquer coração que não o meu.
Saber que não vou ter mais o que me fazia dizer estar satisfeito.
Ou, ainda, saber que tudo que me fazia satisfeito era tão frágil (ou talvez nem existisse) que duraou apenas uns poucos meses, e mudou de um dia para o outro, como uma badtrip, que parece sonho e se torna dor.
Lembra aquele dia que chorei na praia?
Lembra como eu parecia desesperado?
Naquele dia eu TINHA que ter percebido que não era tão real assim, do seu lado.
Não pelo menos pra mim.
Nunca foi fácil amar e ser amado.
Eu sempre vivi assim, sob o efeito angustiante e eterno do, famigerado, amor platônico.
Sempre pensei em não me importar com nada, muito menos com a quantidade de amor que eu iria desperdiçar.
Mas, bebê, você me fez amar tão rápido e intensamente, que eu arriscaria dizer que não podia ser verdade. E, no fim, não era.
Tentei negar meu escritos, meus sentimentos, meus quadros, minhas desconfianças, mas era tudo real.
Era tudo triste e não tão satisfeito assim.
Eu pensava estar satisfeito.
Sim, eu já dizia ser feliz e sempre respondia que estava ótimo.
Mas não percebia que minha arte não estava nem um pouco alegre.
Percebi que tinha algo errado.
Mas, olha, te digo que você finge muito bem.
Seu objetivo foi concluído.
Conquistou-me.
E com o que queria nas mãos, parou de seguir em frente com a tentativa de, realmente, se entregar.
Claro, nem havia porque, pois eu mesmo já havia te entregado tudo.
Eu mesmo havia sugado toda responsabilidade daquilo que chamam amor pra mim.
Agora, me sinto descepcionado com as pessoas.
Descepcionado com o modo como elas levam a vida, ou, ainda, em como elas simplesmente ignoram qualquer outra fonte de sentimento, que não seja seu próprio peito.
Me sinto vazio e oco.
Despejei meu intimo numa bandeja e te servi, em pratos de prata.
Você se deliciou. Mas enjoou.
Nem pensou no quanto é difícil ser desejável por alguém.
Seus olhos me diziam coisas lindas e eu acreditava, acostumado a acreditar no 'espelho da alma'.
Mas esquecia sempre dos óculos vermelhos e de sua insegurança.
Sofri.
Vazio.
Angústia.
Desnorteamento.
Inutilidade.
Mas principalmente, fui inocente demais pra acreditar em qualquer coração que não o meu.
Saber que não vou ter mais o que me fazia dizer estar satisfeito.
Ou, ainda, saber que tudo que me fazia satisfeito era tão frágil (ou talvez nem existisse) que duraou apenas uns poucos meses, e mudou de um dia para o outro, como uma badtrip, que parece sonho e se torna dor.
Lembra aquele dia que chorei na praia?
Lembra como eu parecia desesperado?
Naquele dia eu TINHA que ter percebido que não era tão real assim, do seu lado.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Angústia cardíaca
Odeio a fragilidade inocente e a urgência do meu coração.
Ele atropela as coisas e pede tudo rápido demais.
Não consigo negar, pois sempre aprendi que o melhor a se fazer é seguir seu próprio coração.
Seguir a trilha que ele deixa me dá ansia de vômito e vertigem.
Sentiu, exigiu.
Com ele, sempre, sempre é preciso de mais.
E nunca, ninguém está preparado pra tanta intensidade, com tamanha rapidez.
Nunca fugi, mas quantos fugiram de mim já se tornaram incontáveis.
Queria poder pedir calma a meu coração e fazer ele respirar um pouco, com serenidade.
Mas ele prefere o agora e não quer saber de deixar fluir.
Prefere fazer acontecer.
E o pior, quando não consegue o que quer, não se acostuma com a perda e chora, sangra, dói.
E dói mais por ninguém compreender ele.
Bate forte, porra.
Arrebenta a pele do meu peito e se mostra.
Ele parece com todos os outros, mas bate mais forte e se incha de sangue: a velha angústia adolescente.
Angustiado com o pequeno porte da caixa toráxica que o abriga, comparado ao mundo que ele deseja conquistar.
Um grito alivia, mas um beijo, nunca volta.
E quando se entrega, ele parece sem controle.
Pede demais, exige demais, precisa demais. Não me deixa nem dormir.
Queria aprender um jeito de me comunicar com ele.
Ou de fazê-lo entristecer, sem precisar levar todo o resto do mundo para o precipício que parece tão enorme quando observado do ponto de vista do meu coração.
Ele atropela as coisas e pede tudo rápido demais.
Não consigo negar, pois sempre aprendi que o melhor a se fazer é seguir seu próprio coração.
Seguir a trilha que ele deixa me dá ansia de vômito e vertigem.
Sentiu, exigiu.
Com ele, sempre, sempre é preciso de mais.
E nunca, ninguém está preparado pra tanta intensidade, com tamanha rapidez.
Nunca fugi, mas quantos fugiram de mim já se tornaram incontáveis.
Queria poder pedir calma a meu coração e fazer ele respirar um pouco, com serenidade.
Mas ele prefere o agora e não quer saber de deixar fluir.
Prefere fazer acontecer.
E o pior, quando não consegue o que quer, não se acostuma com a perda e chora, sangra, dói.
E dói mais por ninguém compreender ele.
Bate forte, porra.
Arrebenta a pele do meu peito e se mostra.
Ele parece com todos os outros, mas bate mais forte e se incha de sangue: a velha angústia adolescente.
Angustiado com o pequeno porte da caixa toráxica que o abriga, comparado ao mundo que ele deseja conquistar.
Um grito alivia, mas um beijo, nunca volta.
E quando se entrega, ele parece sem controle.
Pede demais, exige demais, precisa demais. Não me deixa nem dormir.
Queria aprender um jeito de me comunicar com ele.
Ou de fazê-lo entristecer, sem precisar levar todo o resto do mundo para o precipício que parece tão enorme quando observado do ponto de vista do meu coração.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Óculos vermelhos
Estes óculos vermelhos existem, estão prostrados diante de mim e em cima de minha toalha de mesa verde.
Ela gostava de cheirar a mistério e preferia nunca deixar tão claro o que queria. Não por não saber, sim para atiçar a curiosidade alheia.
Sua textura quase rubra e totalmente lisa, me remetia a seu rosto e a exatamente o olhar que devia e podia ser escondido por aqueles óculos vermelhos.
Ela me olhava como um gato e adorava agir tal qual.
Gatos me deixam empático, curioso, desejoso e, essencialmente, livre.
Eles, os gatos, gostam de assediar nossas vontades. Nos fazem desejá-los, mas fogem sempre a qualquer movimento de aproximação.
E pessoas como gatos exercem atração e degustação a mim e ao meu desejo de conhecer. Pois gatos, na verdade, desejam ser o centro mais desejado, lindo e limitado de toda a atenção.
Gostam, as pessoas e os gatos, de serem desejadas, mas não exatamente tocadas.
E ela esconde seus olhos, maliciosamente, por trás dos óculos vermelhos que parecem me fitar com a mesma firmeza do olhar dela.
Sim, os óculos vermelhos combinam com seu ar de palhaça mais bela do circo. E com suas atitudes e intenções de olhar, tão facilmente decifráveis.
Gosta dos problemas, somente por eles serem uma fuga da rotina chata, angustiante e tão... Confortante.
E ter preguiça é ato do instinto, diria ela afirmando que eu falaria isso com ar de sabe-tudo.
Admitir é meio chato, às vezes.
Mas não evito sinceridade com aqueles que me apetecem por mais tempo que uma noite.
Seus olhos, e seus óculos vermelhos, me incitavam a praticar o mais louco ato de liberdade romântica e, ao mesmo tempo, a demandar toda e qualquer vontade do corpo pra um lugar onde isto não afete, ou fique, tão perto assim, do meu impetuoso coração.
E vírgulas me comovem.
Ela é mestre nas vírgulas e nos três pontos intermináveis.
Admirava (o gosto fugaz e louco dela) o silêncio precedente de um estrondo, seja este emocional ou, virtualmente, real.
Preferia o último momento, e não pensaria que o mundo acabaria em 2012, pois, simplesmente, não está em dezembro de 2011.
Gostava de enigmas, mas não os decifrava tão fácil assim, quanto parecia.
Seus óculos me lembram o sol e o jeito dela e delas, de serem oficialmente aptas a me proporcionar prazer falso e jovial e a me dar segurança de um mundo sem finais rápidos, me proporciona alegria e afeto.
Por isso olhar para trás quando uma menina esteticamente perfeita (para um quadro realista, ou para um simplesmente conceitual) passa a acontecer diariamente e momentaneamente.
E ela não entende que aquilo é amor, ou, simplesmente liberdade, palavra bem próxima, semanticamente, de libertinagem.
E preferia a orgia ao solitário sexo à três, também semanticamente 'falando'. E não ela, e sim eu.
Se fosse ela, eu e nós, ela acharia excitante, como ter alguém capaz, ou próximo de realizar seus fascínios.
Já isso vale tanto pra ela, quanto pra mim.
Gosta do cheiro de outras rosas, algumas tão próximas que se tornam impossíveis de não serem a maior causa de um beijo no escuro, quando sua vida poderia estar tão clara, se eu mesmo desejasse.
Mas não desejei, pois o escuro, infelizmente é mais atiçador, eu diria, do que o claro.
Mergulho na escuridão da pupila, preta, dela.
Acordo com lágrimas nos olhos e vontade de me identificar.
Ela é perfeita.
Assim como meu desejo de ver outros óculos vermelhos, ou verdes mesmo, sejam tão fortemente e tão perfeitamente intensos quanto as vontades dela de se sentir segura.
E sempre espero uma cena de filme pornô, daquelas que acontecem simplesmente ao acaso.
Ou cenas feitas para parecerem aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaacaso.
Fim (do dia de hoje).
Ela gostava de cheirar a mistério e preferia nunca deixar tão claro o que queria. Não por não saber, sim para atiçar a curiosidade alheia.
Sua textura quase rubra e totalmente lisa, me remetia a seu rosto e a exatamente o olhar que devia e podia ser escondido por aqueles óculos vermelhos.
Ela me olhava como um gato e adorava agir tal qual.
Gatos me deixam empático, curioso, desejoso e, essencialmente, livre.
Eles, os gatos, gostam de assediar nossas vontades. Nos fazem desejá-los, mas fogem sempre a qualquer movimento de aproximação.
E pessoas como gatos exercem atração e degustação a mim e ao meu desejo de conhecer. Pois gatos, na verdade, desejam ser o centro mais desejado, lindo e limitado de toda a atenção.
Gostam, as pessoas e os gatos, de serem desejadas, mas não exatamente tocadas.
E ela esconde seus olhos, maliciosamente, por trás dos óculos vermelhos que parecem me fitar com a mesma firmeza do olhar dela.
Sim, os óculos vermelhos combinam com seu ar de palhaça mais bela do circo. E com suas atitudes e intenções de olhar, tão facilmente decifráveis.
Gosta dos problemas, somente por eles serem uma fuga da rotina chata, angustiante e tão... Confortante.
E ter preguiça é ato do instinto, diria ela afirmando que eu falaria isso com ar de sabe-tudo.
Admitir é meio chato, às vezes.
Mas não evito sinceridade com aqueles que me apetecem por mais tempo que uma noite.
Seus olhos, e seus óculos vermelhos, me incitavam a praticar o mais louco ato de liberdade romântica e, ao mesmo tempo, a demandar toda e qualquer vontade do corpo pra um lugar onde isto não afete, ou fique, tão perto assim, do meu impetuoso coração.
E vírgulas me comovem.
Ela é mestre nas vírgulas e nos três pontos intermináveis.
Admirava (o gosto fugaz e louco dela) o silêncio precedente de um estrondo, seja este emocional ou, virtualmente, real.
Preferia o último momento, e não pensaria que o mundo acabaria em 2012, pois, simplesmente, não está em dezembro de 2011.
Gostava de enigmas, mas não os decifrava tão fácil assim, quanto parecia.
Seus óculos me lembram o sol e o jeito dela e delas, de serem oficialmente aptas a me proporcionar prazer falso e jovial e a me dar segurança de um mundo sem finais rápidos, me proporciona alegria e afeto.
Por isso olhar para trás quando uma menina esteticamente perfeita (para um quadro realista, ou para um simplesmente conceitual) passa a acontecer diariamente e momentaneamente.
E ela não entende que aquilo é amor, ou, simplesmente liberdade, palavra bem próxima, semanticamente, de libertinagem.
E preferia a orgia ao solitário sexo à três, também semanticamente 'falando'. E não ela, e sim eu.
Se fosse ela, eu e nós, ela acharia excitante, como ter alguém capaz, ou próximo de realizar seus fascínios.
Já isso vale tanto pra ela, quanto pra mim.
Gosta do cheiro de outras rosas, algumas tão próximas que se tornam impossíveis de não serem a maior causa de um beijo no escuro, quando sua vida poderia estar tão clara, se eu mesmo desejasse.
Mas não desejei, pois o escuro, infelizmente é mais atiçador, eu diria, do que o claro.
Mergulho na escuridão da pupila, preta, dela.
Acordo com lágrimas nos olhos e vontade de me identificar.
Ela é perfeita.
Assim como meu desejo de ver outros óculos vermelhos, ou verdes mesmo, sejam tão fortemente e tão perfeitamente intensos quanto as vontades dela de se sentir segura.
E sempre espero uma cena de filme pornô, daquelas que acontecem simplesmente ao acaso.
Ou cenas feitas para parecerem aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaacaso.
Fim (do dia de hoje).
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
A velha sindróme do centro do universo
Esperou o dia raiar para dizer que nada mais era tão igual.
E que aquelas reais esperanças, de quando se tem 10 anos, realmente, não existem mais.
E o que resta é um lugar vazio, esperando por um complemento, ou algo que distraia e faça pensar em algo menos intenso.
Gostaria de ver os dias passando de longe, só para não se deparar com aquele velho sentimento juvenil e ultrapassado.
Ter medo de pessoas não é tão normal quanto possa parecer, já que o ser vivo que mais nos relacionamos são as próprias pessoas.
E elas te olham nos olhos e passa a ser muito difícil encarar de perto.
Ainda mais se esta pessoa ativar sua empatia.
Isso não é fácil e falar algo pode ser a pior saida quando se pensa em mais de uma possibilidade de compreensão.
O silêncio, nessas horas, não apetece tanto mais.
E incomoda a ti.
E a sentir que os outros também se incomodam.
Velha sindróme do centro do universo.
É talvez infantilidade demais, pensar que algo infitito vá ter um centro.
Por que até mesmo em partes limitadas, como corpos, não consegue encontrar centro ou direção alguma.
Difícil, então, rejeitar novos contatos, de pele, de saliva ou de idéias.
Porém mais fácil que expressar algo dúbio.
E isso se torna triste a partir do momento em que se quer poder dividir algo, mesmo que este algo seja um pequeno espaço neste infinito universo o qual sempre achou (e quis acreditar) ser seu centro esquecido.
E que aquelas reais esperanças, de quando se tem 10 anos, realmente, não existem mais.
E o que resta é um lugar vazio, esperando por um complemento, ou algo que distraia e faça pensar em algo menos intenso.
Gostaria de ver os dias passando de longe, só para não se deparar com aquele velho sentimento juvenil e ultrapassado.
Ter medo de pessoas não é tão normal quanto possa parecer, já que o ser vivo que mais nos relacionamos são as próprias pessoas.
E elas te olham nos olhos e passa a ser muito difícil encarar de perto.
Ainda mais se esta pessoa ativar sua empatia.
Isso não é fácil e falar algo pode ser a pior saida quando se pensa em mais de uma possibilidade de compreensão.
O silêncio, nessas horas, não apetece tanto mais.
E incomoda a ti.
E a sentir que os outros também se incomodam.
Velha sindróme do centro do universo.
É talvez infantilidade demais, pensar que algo infitito vá ter um centro.
Por que até mesmo em partes limitadas, como corpos, não consegue encontrar centro ou direção alguma.
Difícil, então, rejeitar novos contatos, de pele, de saliva ou de idéias.
Porém mais fácil que expressar algo dúbio.
E isso se torna triste a partir do momento em que se quer poder dividir algo, mesmo que este algo seja um pequeno espaço neste infinito universo o qual sempre achou (e quis acreditar) ser seu centro esquecido.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O leve toque do ar condicionado e suas consequências para a solidão (ou Preliminar)
Só.
E os objetos parecem mais intangíveis.
Os pés quase não tocam o chão e as mãos não se encaixam umas nas outras.
E nem há outras por perto.
O jeito é flutuar e esperar.
Flutuar e esperar a hora de poder sentir algum toque.
Prefiro toques suavemente distribuidos pelo corpo, quase que não tocando a pele, do que toques desesperados por prazer.
Quero me arrepiar.
O olhar arrepia e ludibria.
Mas e o amor?
Este existe quando ainda não há toque?
Posso amar algo que não toquei?
Ou é melhor dizer que apenas gostei?
Sentir falta de ar é pior que precisar de ar?
Preciso te olhar nos olhos para te fazer gozar?
Peles ficam realmente mais sensíveis no frio.
E os objetos parecem mais intangíveis.
Os pés quase não tocam o chão e as mãos não se encaixam umas nas outras.
E nem há outras por perto.
O jeito é flutuar e esperar.
Flutuar e esperar a hora de poder sentir algum toque.
Prefiro toques suavemente distribuidos pelo corpo, quase que não tocando a pele, do que toques desesperados por prazer.
Quero me arrepiar.
O olhar arrepia e ludibria.
Mas e o amor?
Este existe quando ainda não há toque?
Posso amar algo que não toquei?
Ou é melhor dizer que apenas gostei?
Sentir falta de ar é pior que precisar de ar?
Preciso te olhar nos olhos para te fazer gozar?
Peles ficam realmente mais sensíveis no frio.
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