segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Loucura

O problema dos dias atuais é que, além de estarmos todos loucos, encontramos outros que nos amam e encorajam nossa loucura.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Balbúcios de um coração que insiste em tentar ser pequeno

De repente, percebo que as pétalas daquelas rosas vermelhas, que me deste para mostrar a cor rubra e intensa de sua paixão, tem o mesmo toque sedoso, macio, acalentador, suave e liso da sua pele.
Gosto de perceber acasos loucos que me trazem até aqui.
Adoro lembrar das tardes e dos óculos como sonhos cinematográficos que gravaram em nossa memória para sempre.
Titubear é verbo velho e ultrapassado que não encaixa mais em parte alguma, entre nós.
Te tenho por inteira.
E saber que o toque da sua pele, o qual a rosa me fez recordar, pode ser tão simples e acessível como saber que poderei talvez tocar outras rosas, enquanto elas se encontram no mesmo vaso.
E posso sofrer a angústia do talvez, por ter mais opiniões...
E gosto de pensar naquele antigo amor.
E em como ele era calmo, terno, seguro, clichê e delicioso.
Mas em como, principalmente, ele se tornara chato após alguns anos de convivência e romantismo.
Mas a ternura nele me atraia.
E talvez, hoje eu não seja tão romântico por motivos que passam perto da inocência, perdida outrora.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Palavras Soletradas

Seu olhar...
Ah...!

Cabeiça abaixada,
Olhar levantado.

Fitando,
Perguntando,
Acalmando.

Sinto-me tardio.
Por não ter evaziado antes.
E gela o sangue.
Deixa o estômago vazio.

Faz e atrai
Olhar.
Parar (de)
Explicar.
Sem palavras soletradas.

Espero deixar
Palavras serem só palavras
E ditá-las
Sem esperar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

De vez em quando se batem comigo nas festas e percebem que estou lá.

E saber que os otários são sempre os mais sinceros e que acreditam nas pessoas.
Isso me faz pensar que hoje em dia todo gênio que deseje viver de sua criatividade, deve ser, no mínimo, engraçado.
E assim, vivemos num mundo de palhaços-de-festas-de-criança, daqueles com maquiagem de tinta guache e com a testa sempre suada.
Aprecia-se os filhos-da-puta.
Admira-se a mentira. E sim, a verdade quase sempre causa repúdio e faz os plausíveis se sentirem culpados e se esconderem.
Mas essa culpa, quando divertida ou engraçada, gera frutos, vale dinheiro e prestígio tardio.
E os palhaços sempre assustam os inocentes e as crianças. Principalmente aqueles que nos passam angústia e medo no olhar.

P.s.: Escrito em Novembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

Analógica

Sinto
E você é tão...
Lar.

Almejo
Apenas
Te encontrar.

E, sim,
Saberei
Que
Encontrei...

Um lugar
Onde ancorar
Minhas pernas,
meus braços.

E não precisarei mais navegar
Em busca de qualquer outro lugar.

Pois aqui
Me senti
Completamente
Protegido.

E, mesmo ferido,
Sei que não passa de um brilho
Que quero pra sempre guardar.

E o calor me protegerá
De qualquer frio
(na barriga)
De agora ou outrora.

Pois te amo
E ao seu lado
Me sinto...

Tanto.
Sem pranto.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Corações, Caixas e Trogloditas

Era um dia frio, a chuva caia e eu estava sentado na escada do colégio escrevendo aquele velho diário que me ajudava a ser eu mesmo.
E naqueles dias, naquelas últimas 10 ou 20 páginas, só haviam palavras sobre ela.
Sobre o vento que batia nos seus cabelos pretos e os fazia voar sobre seu rosto, escondendo seu olhar e alisando seus lábios.
Sobre o modo como a farda lhe caia perfeitamente bem, como que um tecido de seda.
Sobre como o ar a sua volta parecia bem mais perfumado.
No caderno, também haviam desenhos.
Corações e caixas.
Nas caixas eu me encontrava, sempre com medo do que podia encontrar fora delas.
Nos corações, apenas ela.
Enquanto escrevia e desenhava. A olhava a alguns metros de distância.
A via feliz, sorridente. Rodeada de amigas, tão ou mais bonitas que ela.
E via também vários pretendentes. Que, diferente de mim, tinham mais coragem.
E iriam falar com ela, cara a cara.
Por um momento eu quis ser como eles.
Mas sempre acabava da mesma forma.
Ela lhes dava a chance e eles lhe davam lágrimas em troca.
Eu não conseguia entender porque ela não aprendia.
Porque ela não examinava e percebia que meninos corajosos demais, fortes demais, bonitos demais ou perfeitos demais, não se preocupavam com ela e sim com eles próprios?
Porque ela se deixava ser acalentada por outro quase igual ao que acabara de magoá-la?
Eu não entendia e passei anos a estudar isso.
Resolvi um dia perguntar.
Sim, eu a amava, mas não iria me declarar, iria simplesmente perguntar o porque ela gostava de sofrer sempre os mesmos pesares, só para estar com um deles.
Juntei todo o resto da minha coragem e fui, firme e determinado.
Ao chegar nela ela olha nos meus óculos e me dá um sorriso amarelo, olha para o lado e acena com o braço.
Um daqueles trogloditas, o atual, vem e sem falar nada me dá um soco no rosto.
Depois a agarra pela cintura e olhando com desprezo para o chão, onde eu me encontrava, me diz apenas:
- Tá maluco idiota? Vai querer falar com a minha menina?
Olha pra ela e lhe dá um beijo, aperta ela com força na cintura e saem caçoando de mim.
Apanho meus óculos quebrados, ponho no rosto e levanto, entendendo um pouco mais sobre aquela relação doentia.
Ela precisava se sentir protegida.
Ele precisava marcar seu território.
Enquanto eu só precisava de amor.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Utopia do amor imor(t)al

Eu quero que nenhum amor morra,
Suma ou se desfaça.
Eu quero que nenhum amor morra,
Não finja, nem disfarça.

Não quero feridas,
corações partidos
Ou mágoas.

Quero você aqui
Exatamente onde
Meu sentimento deságua.

Não quero que o amor morra
Ou seja pouco louvável.
Não quero que o amor morra
Eu prefiro o infindável.

Choro por novos olhares,
Eles se revelam, intimidade.

E nos becos sórdidos,
Achei o óbvio:
Isto foi longe demais do lógico.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O mar

Estar quase afudando,
mas lembrar dos grãos de areia.
E saber que sempre vai haver onde pisar,
Mesmo no fundo do mar.

E querer que não fosse tão fundo assim.

E se fosse melhor?
Maior?

E se parecesse como a brisa?
Alisa.

E se não precisássemos de chão?
Novos ares, então.

Queria mais que o mar,
Quis sempre o ar.

Sentar e conversar.
Sentar e amar.
Porque se torna tão difícil, mesmo em frente ao mar?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Análise sobre a sarjeta e seus quase-fiéis frequentadores

Eles queriam o suor dos outros e todo seu orgulho. Queriam roubá-los e privá-los de expressar qualquer angústia, sendo a própria angústia o fim e o começo de todos os problemas, solucionáveis ou não, no contexto humano.
Eles cheiravam a novidade, mas o aroma não passava de fragrância fraca e barata comprada em qualquer mercado de esquina.
Mas gostavam da noite, da rua, da sarjeta e do estrago.
Gostariam de acordar e não despertar.
Queriam sempre não entender, pois compreender sempre foi mais difícil e nunca os levou a lugar nenhum.
Preferiam nem sonhar, pois isto desistimularia seus atos, que para os outros pareciam devaneios, ou mesmo delírios de luxúria.
Gostavam de apropriar-se de momentos não criados por eles, mas perfeitos.
E queriam sim, dividir seu ar.
Clamavam por um olhar, de atenção ou desprezo. E se sentiam felizes e realizados, se isto acontecia.
Andavam em grupos deformados na sua origem, mas puros na sua concepção.
Preferiam deslizar no chão. Pois pisar seria tão tedioso.
E, principalmente, olhavam nos olhos, mesmo que estivessem mentindo.
Pois gostavam de estudar o próximo e toda reação a favor ou contra eles próprios.
Brindavam à liberdade, sem citar o nome dela.
E se esbaldavam no eterno, enquanto transitório.
Lambiam seus lábios pra experimentar novas sensações e tinham medo das consequências, apesar de ausências serem bem piores para seus espíritos.
Sorriam como um saco de batatas sorri. Singelo, podre e inexistente, de satisfação plena.
Enfiavam até o talo o dedo na ferida alheia. Mas se divirtiam mais ferindo a si próprios.
E como gostavam de desejar.
Sentiam necessidade da vontade.
E só choravam por identificação mesmo.
Preferiam artes complexas e frias, a monumentos vibrantes e comprados por milhões.
Supriam-se do resto, do pó, da felicidade despejada no chão por outros mortais sem tanta sorte, ou genialidade.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Nada pode ser mais sincero que a arte (Ou O fim dos óculos vermelhos)

Sabe, sofia, não é tão fácil quanto parece.
Não pelo menos pra mim.
Nunca foi fácil amar e ser amado.
Eu sempre vivi assim, sob o efeito angustiante e eterno do, famigerado, amor platônico.
Sempre pensei em não me importar com nada, muito menos com a quantidade de amor que eu iria desperdiçar.
Mas, bebê, você me fez amar tão rápido e intensamente, que eu arriscaria dizer que não podia ser verdade. E, no fim, não era.
Tentei negar meu escritos, meus sentimentos, meus quadros, minhas desconfianças, mas era tudo real.
Era tudo triste e não tão satisfeito assim.
Eu pensava estar satisfeito.
Sim, eu já dizia ser feliz e sempre respondia que estava ótimo.
Mas não percebia que minha arte não estava nem um pouco alegre.
Percebi que tinha algo errado.
Mas, olha, te digo que você finge muito bem.
Seu objetivo foi concluído.
Conquistou-me.
E com o que queria nas mãos, parou de seguir em frente com a tentativa de, realmente, se entregar.
Claro, nem havia porque, pois eu mesmo já havia te entregado tudo.
Eu mesmo havia sugado toda responsabilidade daquilo que chamam amor pra mim.
Agora, me sinto descepcionado com as pessoas.
Descepcionado com o modo como elas levam a vida, ou, ainda, em como elas simplesmente ignoram qualquer outra fonte de sentimento, que não seja seu próprio peito.
Me sinto vazio e oco.
Despejei meu intimo numa bandeja e te servi, em pratos de prata.
Você se deliciou. Mas enjoou.
Nem pensou no quanto é difícil ser desejável por alguém.
Seus olhos me diziam coisas lindas e eu acreditava, acostumado a acreditar no 'espelho da alma'.
Mas esquecia sempre dos óculos vermelhos e de sua insegurança.
Sofri.
Vazio.
Angústia.
Desnorteamento.
Inutilidade.
Mas principalmente, fui inocente demais pra acreditar em qualquer coração que não o meu.
Saber que não vou ter mais o que me fazia dizer estar satisfeito.
Ou, ainda, saber que tudo que me fazia satisfeito era tão frágil (ou talvez nem existisse) que duraou apenas uns poucos meses, e mudou de um dia para o outro, como uma badtrip, que parece sonho e se torna dor.
Lembra aquele dia que chorei na praia?
Lembra como eu parecia desesperado?
Naquele dia eu TINHA que ter percebido que não era tão real assim, do seu lado.