sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

rounded teeths

Dentes arredondados,
Meio que tratados por sua lingua, enquanto fala demais ou cala demais.
Olhos linkados e prontos pra perceber tudo a sua volta.

Envolta, sempre que possível, num belo ar de mistério.
Perfeitamente de ninguém.

E sua presença incomoda e acomoda.
Encontra outro, faz tua dança tão linda.

Ssonha o sonho e vive além da vida
Prefere ostentar algo maior que dinheiro.
Vida.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Vinte 3

E ao começar, alcança caminhos antes inexplorados
e te faz vim-ver.
Olha para o lado e realmente nunca se vê.
Mas quando ela se permite, existe,
e da flor nasce algo além-triste
percebe-se que foi perda de tempo
e que esperar quase-ano por esse momento
nos faz inexatos, perdidos e compactos.
Sabe-se que lá fora há
sempre flores, frutos e ar.
Então me diz
pra que esperar a primavera para ser feliz?

terça-feira, 20 de maio de 2014

Olhares penetrantes

Olhares como esse nos fazem cair. Olhar pro fundo de nosso (próprio) olho é como olhar no fundo de nossa alma e nos aceitar como deveríamos ser aceitos por todos.
Ser livre, portanto é olhar nos olhos e não ter medo, julgar ou pré-conceber, qualquer coisa.
Se apaixonar e deixar acontecer de ficar parado mais de 30 minutos olhando alguma planta que você pensa ser uma mutante, pois surgiu de ontem pra hoje é tem o organismo perfeito, como quem vive mais de 100 anos.
Seu olho, dentro do meu é como uma faca em toda minha existência e acaba por corromper até meus velhos ossos cansados, me fazendo viver como a muito não lembro de fazer.
Melhor que conversar, é olhar.

sábado, 3 de maio de 2014

Pietra

Pedra, linda pedra, polida pedra, és um ser?
Pois sim, claro que és.
Acordas a noite e o vento te perpassa.
Vem no frio e dorme no rio.
Onda, as ondulações te envolvem e desenvolvem
Seus meios, meus anseios.
Acerca da vida nada pode falar mais sobre ela que a PEDRA.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Por escondido

Me deixa aqui com meu cigarro
Me faz olhar pro outro lado.
E quer sorrir, ameaçado.
Um outro sonho despedaçado.

Acorda assim sem nem recado.
Esquece seu amor passado.
Aquece aqui o peito em chama
E faz amor em outra cama.

Melhor olhar por escondido
Do que gritar ao pé do ouvido.
Esquece, é certo se escorar,
Tente não se preocupar.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Saudades! (Ouço seu nome...)

Fazia tempo que a palavra saudade não fazia tanto efeito...
É pesado ter um filho e não poder ser mais fraco.
Faz falta seus braços e sua intenção única, amor puro e sem ciúmes.
Sabe entender e fala só pelo silêncio.
Te amo muito mais do que eu mesmo possa imaginar.
E como é difícil não se entregar às lágrimas, só pelo prazer de te abraçar.
Te usar um pouco como a melhor almofada afogadora de mágoas...
É tão puro e tão óbvio que dói não poder ser mais fraco.
Te amo mais do que posso aguentar e me esqueço de não pensar.
Não se preocupar é sinônimo de mãe.
Demorei pra perceber.
Nunca te esquecerei.
Nem ousaria deixar de te amar, de precisar
e de chorar só de lembrar da sua cara igual a minha.
Desculpa, mas só você sabe não me deixar pensar.
E relaxar.
Obrigado por me amar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Por ti...

Gostaria,
meu caro,
de te fazer um único pedido,
então:
me deixe sozinho.

Não me procure,
nem deixe ninguém o fazer.

Me deixe só.
Me deixe aqui com minhas angústias.

Deixe que os meus medos,
receios
e lamentos interiores
me fitem diretamente em meus olhos.

Preciso conhecê-los
e enfrentá-los
em um nível pessoal.

Sinto falta das palavras
solitárias e únicas
que saem da minha boca
enquanto estou vazio.

Preciso direcionar,
apenas por algumas horas,
ou alguns anos,
a minha inteira atenção a mim,
meu coração e,
especialmente meus medos escondidos.

Chegou a hora de re-virar
meu olhar para dentro.

Preciso de distância das horas,
do tempo,
dos deveres
e da bendita razão.

Só assim,
depois,
vou poder e conseguir
me dar por completo,
me entregar,
me soltar,
deixar fluir.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sobre o fim do mundo e as histerias coletivas

Porque todos de repente se preocupam com algum fato irrelevante e geralmente ilusório? Porque se desesperam a ponto de perderem o controle de suas vidas e rotinas pífias e sem graça? Porque desejam e as vezes lutam por vitórias enganosas e por vezes autodestrutiva?
Temos mesmo um instinto totalmente suicida? Realmente acreditamos que nada pode ser pior do que continuar a viver exatamente da mesmíssima maneira pelos próximos 10, 15, 20, 25 anos? E chega a ser injusto, então, ser, ter, parecer, encenar, algo que não é, não tem e não vive?
Uma saída razoável e bem plausível seria a de algo maior existir.
E se algo maior resiste, um dia passamos a nos sentir impotentes, fracos, pequenos. Sentimentos mesquinhos demais para a natureza humana, natureza essa, obviamente, selvagem e violenta.
A melhor resposta seria o silêncio. O vazio. O não. O fim, enfim.
E o fim, finalmente, atrai e fala sobre a que veio, ou ao que virá, ou, ainda, ao que deveria findar.
Amamos a impotência, pois já acreditamos e nos adequamos a não se incluir, a sermos inferiores, ou pelo menos, sempre nos ensinaram isso, nas escolas e jantares em família.
Deixamos-nos ficar por baixo e nunca gritar. Pois é mais fácil assim.
Porém alguém, alguma hora, tem que sempre citar uma antiga profecia, ou uma antiga crença que insiste em nos dizer aquilo exatamente que queríamos ouvir: O mundo vai acabar no dia 21 às 21 horas, pois simplesmente encerrou-se mais um ciclo, ciclo este que é sucessor do que detonou toda a vida dos dinossauros, os todos-poderosos, antes da gente, antes de deus.
Seria como uma salvação às avessas. Pois já nos acostumamos a estar por baixo, mas imaginar um governador, um estadista, um presidente, um rei ou um papa ficar por baixo e sofrer, por alguns instantes que sejam, como nós sempre sofremos, sofrer mais até por ver seu ter se perder, isso, sim, seria um sonho e uma retaliação à nosso ser ou haver interior.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

E então, o marasmo...

E quando mais quis,
Sucedeu-se o nada.

E quando provou, quis
Um pouco mais, um bis.

E ao tentar ultrapassar
A si mesmo, como fiz,

Se esbarrar no marasmo,
Que por acaso, nada lhe diz...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Todos os homens merecem respeito e silêncio, ao morrer.

De repente a visão escureceu e o funcionário caiu, desacordado em seu trajeto diário e monótono de vinda ao trabalho, ao laboro.
Só deu tempo de ver a carreta desgovernada (ou governada pela mão do destino) e de sentir o aperto do maior abraço que já recebeu, sentiu como se seu pai o abraçasse e chorando, depositasse dentro dele todo o orgulho que existe no mundo.
O aperto o esmagou. Era a carreta que havia tombado, ou passado por cima de seu corpo que agora falece, desacordado e sem visão no asfalto.
Seu sonho era saber. Sua maior vontade era conhecer e versar sobre tudo.
Morreu esquecendo de aprender que o ápice da vida era a morte. E que nada dura muito tempo.
Foi bom e fez sua parte.
Morreu digno.
Mas faleceu sem luto.
O trabalho continuou e seus colegas choraram sua morte, mas seu chefe não fechou as portas e manteve rédeas curtas sob estas lágrimas.
Chore e trabalhe, atenda e sorria.
"O que vamos fazer com suas demandas?
E agora?"
E agora, ele morreu e todo dinheiro do mundo não pôde salvá-lo.
Assim como não vai salvar nem seus colegas, nem seus parentes e nem seus chefes.
Que mesmo sentindo orgulho dele, continuaram e não lhe deram nem um dia, seu pensamento completo.
Descanse em paz,
Davi.
E saiba que sua semente está crescendo, aqui e em todo lugar por onde pisou.
Todos os homens merecem respeito e silêncio, ao morrer.

12.07.2012